Web 3.0 – um bicho de sete cabeças?

Há muito pouco tempo começaram a surgir boatos por aí de que estamos entrando na Web 3.0, ou a “Web Semântica”. E hoje eu vim falar um pouquinho, pra vocês, sobre essa nova tendência.

Como meu amigo Bernard De Luna (especialista em (X)HTML, CSS e semântica) disse: “Não existem versões. Existe a tendência a uma evolução natural das coisas. Nós simplesmente percebemos essa mudança de vento e queremos dar um nome pra ela.” Não exatamente com essas palavras, mas sei que foi isso que ele quis dizer.

Estamos entrando numa época onde cada vez mais sites e mais domínios são comprados, publicados e jogados na Internet e, diga-se de passagem, sem nenhum cuidado, planejamento ou organização. E é esse o pilar da tal Web 3.0: organização. Cada vez mais informações (verdadeiras ou falsas) estão sendo publicadas na Internet. Isso se deve ao boom da Web 2.0 onde a contribuição do visitante é o bem mais valioso de um site. São comentários, fóruns, notícias, muitos blogs, fotos, vídeos, Twitters e por aí vai. É um mundo de possibilidades onde você pode criar o seu conteúdo, da forma e cor que desejar.

A tecnologia não pára de crescer, cada vez as máquinas e os robôs estão mais inteligentes. E juntando essa inteligência artificial com inúmeros algoritmos de processamento, essas máquinas são capazes de armazenar e organizar informações.

Então veja que mundo perfeito: se nós, humanos, estamos produzindo e publicando qualquer tipo de informação (em todos os idiomas e dialetos possíveis) e as máquinas, em contrapartida, são capazes de captar, entender e organizar essas informações, o mundo está a um passo do que poderia ser chamado de cultura global, ou conhecimento global, onde cada pessoa tem acesso a qualquer tipo de informação, e as máquinas são capazes de, baseadas nessas informações, tomar decisões e automatizar (mais ainda) a vida dos seres humanos.

Tá… e o que essa lengalenga toda tem a ver com o meu HTML?

Sem dúvida nenhuma, o maior formato de publicação de conteúdo na Internet hoje (o maior acervo de conhecimento da humanidade) é o formato em HTML ou XHTML Seja o Twitter ou um blog, são todos HTML. E a Web 3.0 sugiu da necessidade de organizar toda essa avalanche de informação que vem sendo criada diariamente de uma forma irresponsável, para que as máquinas possam ter acesso a esse tipo de informação.

Veja o exemplo do Crawler Google. O que é ele, senão um super-robô que fica, o dia inteiro, vasculhando todos os sites do mundo e armazenando informações para serem entregues quando você faz uma busca? Agora imagine que você é esse robô e tem que armazenar, na sua memória, informações relativas a uma biblioteca inteira 25 mil livros. Só que infelizmente cada livro foi escrito por um autor, seguindo uma escola literária diferente, idioma diferente e catalogado de forma diferente Fica bem pior pra você, não fica?

A tendência da “nova Web” é exatamente essa: Organizar o HTML usando os elementos corretos, seguindo um padrão internacional (definido pelo W3C) e, permitindo assim, uma melhor compreensão do seu site.
O “Melhor dos Mundos”

Imagine o que pode acontecer em um futuro próximo: você marca um evento na sua agenda do Google ou Yahoo, por exemplo, “reunião no escritório da empresa X às 14h”. Aí o seu computador, baseado em toda essa gama de informações possíveis, descobre o endereço desse escritório e, usando uma API geográfica, descobre que esse escritório fica em outro estado. Então, automaticamente, ele já busca a melhor opção de vôo pra você e até informa o vôo, horário, data, e preço, usando um sistema das empresas de linhas aéreas. É só você concordar com ele e a sua vida está resolvida.

Isso tudo será possível se nós, criadores de conteúdo (leia-se HTML), a partir de hoje mesmo, começarmos a organizar o que criamos.

A maioria dos desenvolvedores está acostumada a criar o HTML e o CSS ao mesmo tempo. Com isso você acaba tendo que escolher os elementos que vai usar para facilitar a sua vida na hora de criar o CSS. Faça como o Bernard De Luna me ensinou: sempre crie TODO o HTML da página antes, sem nem pensar no CSS. Use os elementos corretos para exibir o conteúdo do seu site de forma hierárquica e concisa.

Se você for criar uma série de elementos que irão se repetir, como menus, listas de produtos e listas de notícias, use listas (

    ), pois esse elemento informa pra máquina que aquilo é uma lista!
    MicroFormats

    Existe uma coisa bem legal chamada MicroFormats que é uma das bases dessa tal Web 3.0 (que vem acompanhado do HTML 5 e do XHTML 2). Ele se baseia na passagem de parâmetros, via seu código HTML (usando elementos específicos acompanhados de classes pré-definidas) para informar que tipo de informação está sendo transmitida. Um exemplo básico seria numa página onde tem os dados de contato e, ao redor do telefone, você diz que aquilo ali é o seu telefone usando um class=”phone”. Isso vai fazer com que o robô identifique mais fácil que o telefone do autor daquele site, ou da empresa em questão, é aquilo que está dentro do elemento.
    Desenvolvimento Ético, por uma WEB melhor

    Não é só na medicina e na advocacia que existe ética. Você deve ser ético também na hora de criar um conteúdo HTML pois, se você o fizer da forma correta, usando os conceitos e padrões internacionais, inserindo todas as informações necessárias, além de ter um site muito mais bem posicionado e indexado nos sistemas de busca, você vai contribuir para uma digitalização correta de todo o conhecimento do mundo e, quem sabe, não precise ter que procurar a sua passagem de avião pro próximo evento que for.

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