Acessibilidade web: 7 mitos e um equívoco

No meu trabalho com acessibilidade web, tenho me deparado com mitos que, por não terem suas verdades decifradas, são reproduzidos e compreendidos no seu sentido literal, o que tem prejudicado bastante o nosso progresso. Eles não aparecem como narrativas de estórias, mas como afirmações pseudocientíficas, que confundem a mente daqueles que ainda não adquiriram um profundo conhecimento do assunto.
Após sete anos de convivência com esses mitos, creio que chegou a hora de sistematizá-los e compartilhá-los com todos aqueles que se interessam pelo tema

Mito I.

“Acessibilidade Web é só para deficientes visuais.”

Realidade: Pessoas cegas ou com baixa visão são terrivelmente prejudicadas pela falta de acessibilidade, pois, na maioria das vezes, elas não têm outra forma de obter a informação, a não ser através da internet. Mas não são elas as únicas que necessitam de acessibilidade.
Acessibilidade web é para…

* … Quem tem dificuldade para
– ver a tela,
– usar o mouse,
– usar o teclado,
– ler um texto,
– Ouvir um som,
– navegar na internet;
* … Quem usa um navegador diferente;
* … Quem usa um equipamento muito antigo;
* … Quem usa um equipamento muito moderno;
* … Quem tem uma linha de transmissão muito lenta;
* … Quem está num ambiente ou situação que limita alguns dos seus sentidos ou movimentos, ou que requer a sua atenção.

Temor oculto: “Imagina o trabalhão que vai dar, fazer acessibilidade para todo mundo!”

Esclarecimento: Quando seguimos uma diretriz de acessibilidade, estamos atendendo simultaneamente a vários tipos de necessidades. Por exemplo, atender a três tipos de deficiências não significa trabalho triplicado.

Mito II.

“Na prática, o número de usuários beneficiados com a acessibilidade é relativamente muito pequeno.”

Realidade: A maioria das pessoas que conhecemos não tem nenhuma deficiência e nunca esteve em nenhuma das situações especiais descritas acima. Mas isso não quer dizer rigorosamente nada a respeito da quantidade dessas pessoas e situações. Nossa visão da realidade é sempre distorcida, pois tendemos a nos aproximar e conhecer somente aquilo que nos é semelhante.

Temor oculto: “Esse negócio de acessibilidade é muito investimento para pouco retorno.”

Esclarecimento: Quando tornamos o nosso site acessível, além de atingirmos os usuários da internet que não nos podiam acessar devido às barreiras encontradas, também estamos criando condições para que novas pessoas se animem a usar a internet; ou seja, estamos ampliando o nosso mercado.

Mito III.

“Fazer um site acessível demora e custa caro.”

Realidade: Geralmente, afirmações como esta são proferidas sem nenhuma avaliação prévia. Contudo, só podemos saber se o tempo e o custo do nosso projeto são adequados, se levarmos em conta os benefícios alcançados.

Temor oculto: “Não estarei empregando mal os recursos que tenho, ao fazer acessibilidade? Não vou ficar no prejuízo?”

Esclarecimento: Algumas adaptações são trabalhosas, mas o resultado vale a pena; e quando se trata de um novo projeto, o custo adicional geralmente não existe.

Mito IV.

“É melhor fazer uma página especial para os deficientes visuais.”

Realidade: Os webdesigners terão trabalho dobrado, para criação e manutenção de duas páginas. Os deficientes visuais ficarão prejudicados, pois o que invariavelmente acaba acontecendo é que a página deles fica desatualizada. Além disso, o site continuará inacessível para todos os outros tipos de deficiências, necessidades ou situações especiais.

Temor oculto: “A gente não vai conseguir fazer uma página acessível, que seja tão bonita e funcional como a nossa.”

Esclarecimento: A partir de 1998, com a promulgação da Section 508 (lei americana de acessibilidade), as grandes empresas de software começaram a investir em acessibilidade. Atualmente, os recursos de acessibilidade disponíveis já nos permitem criar sites bonitos, funcionais e acessíveis. Obviamente a técnica de acessibilidade precisa ser aprendida.

Mito V.

“Um site acessível a deficientes visuais não é bonito.”

Realidade: Pessoas cegas não têm condições de usufruir da maioria dos atributos visuais de um site. Porém, os elementos que tornam um site esteticamente bonito não atrapalham as pessoas cegas, se forem criados dentro dos padrões de codificação, das diretrizes de acessibilidade e se a página tiver uma boa arquitetura de informação.

Temor oculto: “Só sei fazer sites bonitos usando tecnologias inacessíveis; de fato, não sei exatamente quais são os elementos visuais que atrapalham a acessibilidade. Por isso, quando tenho que fazer um site acessível, faço sempre o arroz com feijão.”

Esclarecimento: Sites acessíveis a deficientes visuais podem ter imagens, fotos, vídeos, gráficos, etc, etc… Basta observar os padrões de codificação e as diretrizes de acessibilidade; e nenhuma delas proibe essas coisas. Os testes com usuários sempre ajudam a desmistificar essa questão.

Mito VI.

“Vamos por partes: primeiro fazemos o site, depois fazemos acessibilidade.

Realidade: Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, precisamos priorizar. Quando deixamos a acessibilidade para depois será preciso refazer muita coisa que já poderia ter sido feita com acessibilidade, sem custo adicional.

Temor oculto: “Não vamos conseguir fazer um site acessível, com o tempo, os recursos e a equipe que temos.”

Esclarecimento: Como acontece com qualquer tecnologia, geralmente o primeiro projeto acessível demanda um tempo e um custo maior, porque precisamos de capacitar a equipe. Mas isto acontece apenas no primeiro projeto, além de ser um bom investimento em termos de ampliação do público alvo.

Mito VII.

“A gente sabe o que é bom para o usuário.”

Realidade: A gente aprende muito sobre o usuário com a experiência. Mas a gente só aprende tudo sobre o usuário, se a gente fôr o próprio usuário; ainda assim, agente vai ser apenas um dos vários tipos de usuários possíveis, deixando de fora todos os outros grupos.

Temor oculto: “Não quero expor meu projeto às críticas do usuário.”

Esclarecimento: Quanto mais cedo os usuários puderem dar seus “palpites” no projeto, menos alterações ele precisará depois e mais robusto ele será. Não tenha medo!

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